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Biogás e a GD 2.0

Biogás e a GD 2.0

O Brasil precisa valorizar a geração distribuída que entrega potência, flexibilidade e segurança energética

 

O setor elétrico brasileiro está mudando.

Durante muitos anos, a discussão sobre expansão da geração esteve concentrada principalmente em uma pergunta: quanto custa produzir um megawatt-hora?

Essa pergunta continua importante, mas já não é suficiente.

Com o crescimento acelerado das fontes renováveis variáveis, especialmente solar e eólica, o sistema elétrico passa a precisar cada vez mais saber quando a energia estará disponível, onde será produzida, por quanto tempo poderá ser entregue e com que velocidade a geração poderá responder às necessidades da rede.

O próprio planejamento energético brasileiro começa a refletir essa transformação. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) destaca que o crescimento das fontes renováveis variáveis e da micro e minigeração distribuída está aumentando a importância dos recursos despacháveis e das análises de potência e flexibilidade.

É justamente nesse novo sistema elétrico que o biogás merece ser redescoberto.

  • Não apenas como combustível renovável.
  • Não apenas como solução para resíduos.
  • E tampouco apenas como mais uma fonte de geração distribuída dentro do modelo atual de compensação de energia.

O biogás pode ser um recurso energético distribuído, armazenável, controlável e geograficamente espalhado pelo território brasileiro.

E talvez esteja chegando o momento de discutir uma nova geração distribuída para essa fonte.

Uma espécie de GD 2.0.

 

Antes de tudo: não estamos falando da GD como ela é conhecida atualmente

É importante fazer essa distinção.

Quando falamos em Geração Distribuída - GD no Brasil, o termo ficou fortemente associado à Micro e Minigeração Distribuída - MMGD e ao Sistema de Compensação de Energia Elétrica - SCEE.

Nesse modelo, consumidores podem produzir eletricidade a partir de fontes renováveis ou cogeração qualificada, injetar excedentes na rede e utilizar créditos para compensação de consumo conforme as regras vigentes.

Foi um modelo extremamente importante para a expansão das fontes renováveis distribuídas no país.

Mas a GD 2.0 que propomos discutir aqui é outra coisa.

O conceito não representa, hoje, uma categoria regulatória da ANEEL.

É uma proposta de reflexão.

Estamos falando de geração distribuída geograficamente pelo sistema elétrico, instalada onde existem resíduos, biomassa, demanda energética e necessidade de suporte à rede.

Uma geração cujo valor não deveria ser medido somente pelos quilowatts-hora produzidos ou compensados.

Seu valor deveria considerar também potência disponível, despachabilidade, flexibilidade, localização, previsibilidade, capacidade de armazenamento do combustível e contribuição para a segurança energética.

 

O sistema elétrico está começando a pagar pelo que o biogás sabe fazer

Existe um sinal importante vindo do próprio setor elétrico.

O Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026 introduziu uma lógica na qual potência e flexibilidade ganham protagonismo. Segundo a EPE, o certame contratou aproximadamente 19 GW e estabeleceu requisitos para recursos capazes de responder às necessidades do sistema quando demandados.

Em junho de 2026, o Ministério de Minas e Energia voltou a destacar a flexibilidade operacional como um dos elementos fundamentais para a modernização e segurança do sistema elétrico brasileiro.

Ou seja:

"O setor elétrico começa a reconhecer que 1 MWh não necessariamente possui o mesmo valor sistêmico que outro 1 MWh produzido em horário, local ou condição operacional diferente".

E essa mudança de lógica é extremamente importante para o biogás.

 

O primeiro grande atributo do biogás: ele é renovável, mas pode ser despachável

Solar e eólica são recursos extraordinários para o Brasil.

Mas sua produção depende das condições instantâneas de irradiância solar e vento.

O biogás possui uma característica diferente.

A matéria orgânica é convertida por digestão anaeróbia em um combustível gasoso que pode ser temporariamente armazenado e utilizado posteriormente em motores, turbinas ou outros sistemas de conversão energética.

Isso cria uma separação entre dois momentos:

  • o momento em que o biogás é produzido e o momento em que a eletricidade é gerada.

Essa diferença é extremamente valiosa.

Uma planta adequadamente projetada pode, dentro de seus limites de armazenamento e operação, deslocar parte da geração elétrica para horários mais interessantes ao sistema.

Portanto, diferentemente de uma fonte cuja geração precisa ocorrer exatamente quando o recurso natural está disponível, o biogás oferece certo grau de gerenciamento temporal da geração.

É importante não exagerar esse atributo.

Um gasômetro não transforma automaticamente uma planta de biogás em uma bateria de grande capacidade. A flexibilidade real dependerá do volume de armazenamento, produção horária de gás, dimensionamento dos motogeradores, características do processo biológico, tratamento do gás e estratégia operacional.

Mas o princípio é fundamental:

  • o biogás permite armazenar energia antes da geração elétrica.

 

Biogás é energia armazenada na forma de molécula

Esse talvez seja um dos atributos menos valorizados da geração elétrica a biogás.

Enquanto sistemas elétricos discutem bilhões de reais em baterias e outras tecnologias de armazenamento, milhares de plantas de digestão anaeróbia podem possuir seu próprio reservatório energético na forma de gás.

O Brasil vem reconhecendo cada vez mais a importância do armazenamento para a flexibilidade do sistema. Em agosto de 2026, a EPE informou que os leilões de armazenamento em baterias receberam o cadastramento de 6.091 projetos, totalizando quase 297 GW de potência, demonstrando a dimensão do interesse do mercado nesse atributo.

O ponto não é colocar biogás e baterias como concorrentes.

São recursos diferentes.

A questão é perceber que existe um atributo semelhante sendo procurado pelo sistema:

  • a possibilidade de deslocar energia no tempo e disponibilizá-la quando ela for mais necessária.

E plantas de biogás podem fazer parte dessa arquitetura.

Inclusive de forma híbrida:

  • biogás + geração elétrica + bateria + gerenciamento de carga.

 

O segundo atributo: geração controlável próxima da carga

Existe outra característica especialmente interessante.

Os substratos utilizados para produção de biogás estão espalhados pelo território:

  • Dejetos de bovinos, suínos e aves
  • Resíduos agroindustriais
  • Efluentes industriais
  • Resíduos de alimentos
  • Lodos de estações de tratamento
  • Resíduos sólidos urbanos
  • Aterros sanitários

A disponibilidade desses materiais cria naturalmente uma rede potencial de unidades produtoras de energia distribuídas geograficamente.

A própria EPE utiliza análises espacialmente explícitas para avaliar o aproveitamento energético desses resíduos e destaca oportunidades para produção distribuída de eletricidade e biometano.

Esse é um ponto central da nossa proposta de GD 2.0.

Não se trata simplesmente de colocar milhares de geradores pequenos na rede.

Trata-se de identificar onde a geração pode gerar maior valor sistêmico.

Uma planta de biogás instalada próxima a uma agroindústria, frigorífico, cooperativa, estação de tratamento, centro logístico ou outro polo consumidor pode produzir energia exatamente na região onde existe demanda.

Dependendo das condições técnicas da rede, essa proximidade pode reduzir a necessidade de transportar toda a energia por grandes distâncias e transformar a geração distribuída em instrumento de planejamento territorial da oferta elétrica.

 

O terceiro atributo: o biogás produz quando o sistema precisa, não apenas quando a natureza permite

O crescimento da solar está modificando profundamente a curva de carga líquida do sistema.

Durante determinadas horas existe grande disponibilidade de geração solar. Em outros períodos, especialmente quando a geração fotovoltaica diminui rapidamente e a demanda permanece elevada, cresce a necessidade de recursos capazes de assumir parte da carga.

A EPE já está incorporando a chamada carga líquida horária aos estudos justamente para representar melhor a demanda que precisa ser atendida por recursos controláveis.

Essa é uma discussão na qual o biogás precisa entrar.

Uma planta não precisa necessariamente operar seu motogerador com a mesma potência durante as 24 horas.

Dependendo do projeto, pode existir uma estratégia de acumulação de biogás e modulação da geração.

Imagine, por exemplo, uma unidade que produza biogás continuamente durante o dia, mas disponha de capacidade de armazenamento e geração suficiente para concentrar uma parcela maior da geração elétrica justamente durante períodos de maior necessidade da rede.

Nesse cenário, não estamos vendendo apenas energia.

Estamos entregando energia no momento certo.

E isso vale mais para o sistema.

 

Curtailment muda a discussão

O crescimento das renováveis variáveis também trouxe outra palavra definitivamente para o vocabulário do setor elétrico brasileiro:

  • curtailment

Em determinados momentos, existe energia renovável disponível, mas o sistema não consegue absorver toda essa produção.

Esse problema evidencia uma característica importante do biogás.

Em várias configurações, não é necessário transformar imediatamente todo o combustível produzido em eletricidade.

Parte do biogás pode permanecer armazenada temporariamente.

Portanto, havendo capacidade adequada de armazenamento e flexibilidade operacional, pode ser possível postergar a geração elétrica em vez de simplesmente produzir eletricidade em um momento de excesso de oferta.

É uma diferença conceitual importante.

Em vez de:

  • produzir eletricidade → tentar encontrar espaço na rede, temos a possibilidade de:
  • produzir biogás → armazenar energia química → gerar eletricidade quando houver maior valor.

 

O quarto atributo: potência renovável disponível

Talvez o biogás precise começar a vender menos a ideia de “energia renovável” e mais a ideia de:

  • potência renovável disponível.

Existe uma diferença enorme entre as duas coisas.

Um sistema elétrico não precisa apenas saber quantos MWh serão produzidos ao longo do ano.

Ele precisa saber se haverá potência disponível em determinado horário crítico.

Essa discussão está no centro da atual evolução do setor elétrico.

O MME tem destacado a necessidade de ampliar os recursos termelétricos e a flexibilidade operacional disponíveis para garantir confiabilidade e atendimento à demanda em períodos de maior exigência.

O biogás é uma fonte térmica renovável.

Essa combinação merece muito mais atenção.

Em vez de contratar exclusivamente potência baseada em combustíveis fósseis, vale perguntar:

"quanto dessa necessidade poderia ser atendida por uma rede de plantas térmicas renováveis abastecidas continuamente por resíduos brasileiros?"

Talvez ainda não seja possível atender toda a necessidade.

Mas certamente merece ser estudado.

 

O quinto atributo: geração firme espalhada pelo interior do Brasil

Existe ainda uma característica territorial estratégica.

Grande parte do potencial de biogás está justamente onde existe atividade agropecuária e agroindustrial.

Ou seja, fora dos grandes centros de geração tradicional.

A EPE estima que, sob premissas conservadoras, somente a biodigestão dos resíduos agropecuários economicamente aproveitáveis em MMGD teria potencial para produzir eletricidade equivalente a aproximadamente 5% do consumo elétrico nacional.

Em outra avaliação, a EPE estimou que o potencial técnico de produção de biogás a partir de resíduos poderia superar 97 bilhões de Nm³ por ano em 2031.

Não estamos, portanto, discutindo uma fonte marginal.

Estamos falando de um recurso energético de dimensão nacional cuja matéria-prima já está sendo produzida diariamente.

E de forma geograficamente distribuída.

 

É aqui que nasce a proposta da GD 2.0

A GD 2.0 para o biogás poderia partir de uma pergunta diferente.

Em vez de perguntar apenas:

  • “Quanto essa usina injeta na rede?”

perguntaríamos:

  • “Que serviços essa usina pode prestar ao sistema elétrico?”

 

Atributo do biogás → Valor potencial para o sistema elétrico

  • Produção contínua do combustível → Maior previsibilidade energética
  • Armazenamento do biogás → Possibilidade de deslocamento temporal da geração
  • Motogeradores controláveis →  Despachabilidade e modulação
  • Capacidade instalada disponível → Atendimento de potência
  • Localização próxima aos resíduos → Geração territorialmente distribuída
  • Localização próxima à carga → Possível suporte energético regional
  • Operação complementar à solar/eólica → Flexibilidade para sistema com alta participação de renováveis variáveis
  • Cogeração → Aproveitamento simultâneo de eletricidade e calor
  • Tratamento de resíduos → Serviço ambiental associado à produção energética
  • Captura e aproveitamento do metano → Benefício climático adicional
  • Possibilidade de produção de biometano → Flexibilidade entre mercado elétrico e mercado de gás

 

É uma mudança importante.

O produtor deixaria de ser remunerado exclusivamente por energia e poderia, em modelos futuros, também capturar valor associado à potência, disponibilidade, flexibilidade, localização e serviços prestados ao sistema.

 

Uma GD que não seja tecnologicamente cega para os atributos

O princípio de neutralidade tecnológica é importante.

Mas tratar tecnologias diferentes como se entregassem exatamente o mesmo produto também pode produzir distorções.

Uma usina solar de 1 MW, uma bateria de 1 MW e uma planta de biogás de 1 MW não possuem as mesmas características operacionais.

A potência nominal pode ser igual.

O serviço entregue ao sistema não necessariamente é.

A GD 2.0 deveria reconhecer essa diferença.

Não significa favorecer artificialmente o biogás.

Significa precificar atributos que o sistema realmente necessita.

Se potência vale dinheiro, remunere potência.

Se flexibilidade vale dinheiro, remunere flexibilidade.

Se determinada localização evita uma expansão de rede ou resolve uma restrição local, avalie esse benefício.

Se disponibilidade em determinado horário possui maior valor, permita que o mercado sinalize esse valor.

E então deixe as diferentes tecnologias competirem para entregar esses serviços.

Nesse desenho, o biogás provavelmente se tornaria muito mais competitivo do que aparenta quando comparado apenas pelo custo médio do MWh.

 

Geração distribuída deveria ter componente locacional

Outra evolução possível seria reconhecer que o local onde a eletricidade é produzida importa.

Uma nova geração distribuída poderia identificar regiões, alimentadores, subestações ou áreas de concessão nas quais existe necessidade de potência adicional.

Em vez de simplesmente esperar pedidos espontâneos de conexão, seria possível estudar mecanismos nos quais o sistema sinalizasse:

  • “Precisamos de geração controlável nesta região, disponível nestes horários e com estas características.”

Produtores de biogás da região poderiam então avaliar sua participação.

Isso transformaria a geração distribuída em uma ferramenta mais ativa de planejamento.

Uma espécie de leilão ou contratação locacional de flexibilidade distribuída, respeitados todos os estudos técnicos, concorrenciais e regulatórios necessários.

Não seria mais geração distribuída apenas porque a usina é pequena.

Seria geração distribuída porque ela está estrategicamente localizada dentro do sistema.

 

O produtor de biogás também precisa mudar a forma de pensar

Existe uma consequência importante para quem desenvolve projetos.

Um projeto de biogás não termina no biodigestor.

Depois de produzir o gás, surge a pergunta decisiva:

"Qual é o produto energético de maior valor que essa molécula pode gerar?"

Talvez seja eletricidade contínua.

  • Talvez seja eletricidade na ponta.
  • Talvez seja potência disponível.
  • Talvez seja cogeração.
  • Talvez seja biometano.
  • Talvez seja combustível para uma frota.
  • Talvez seja um contrato industrial.
  • E futuramente talvez seja uma combinação desses mercados.

Por isso, dimensionar uma planta apenas para colocar um motogerador operando continuamente pode deixar valor econômico sobre a mesa.

Projetos futuros precisam considerar também armazenamento de gás, sobredimensionamento estratégico da potência elétrica, perfil horário de geração, flexibilidade operacional, conexão à rede e possíveis mercados de capacidade e serviços energéticos.

 

Não precisamos escolher entre biogás e biometano

Essa discussão também ajuda a superar uma falsa disputa.

“É melhor gerar eletricidade ou fazer upgrading para biometano?”

A resposta não precisa ser universal.

Depende do projeto.

Em algumas localidades, o biometano poderá encontrar mercado muito mais atrativo.

Em outras, a ausência de gasodutos, distância dos consumidores ou pequena escala poderá tornar a geração elétrica bastante interessante.

E existem projetos nos quais a própria opcionalidade entre molécula e elétron poderá tornar-se um atributo econômico.

O que precisamos evitar é que a regulação determine artificialmente a resposta porque um dos mercados não remunera adequadamente os atributos entregues.

 

A GD 2.0 precisa reconhecer que biogás não entrega apenas eletricidade

Talvez esse seja o ponto central.

Uma planta solar entrega eletricidade renovável.

Uma planta de biogás pode entregar eletricidade renovável enquanto:

  • trata efluentes ou resíduos;
  • reduz emissões fugitivas de metano;
  • produz digestato;
  • substitui combustíveis fósseis;
  • gera calor útil;
  • produz biometano;
  • e cria capacidade elétrica controlável.

Nem todos esses benefícios devem necessariamente ser remunerados pela tarifa de eletricidade, seria inadequado simplesmente transferir todos os benefícios ambientais para o consumidor elétrico.

Mas eles precisam ser considerados na política energética, ambiental, agrícola e climática de forma integrada.

É justamente essa integração que pode revelar o verdadeiro valor socioeconômico do biogás.

 

O Brasil talvez esteja procurando flexibilidade onde já existe uma parte da solução

Estamos construindo um sistema elétrico cada vez mais renovável.

Isso é positivo.

Mas quanto maior a participação das fontes variáveis, maior será a necessidade de potência, armazenamento, flexibilidade e geração controlável.

O Brasil certamente precisará de baterias.

Precisará de hidrelétricas flexíveis.

Precisará de transmissão.

Precisará de resposta da demanda.

E provavelmente continuará precisando de geração termelétrica para segurança do sistema.

A pergunta que o setor de biogás deveria colocar sobre a mesa é:

"Por que uma parcela maior dessa geração térmica flexível não poderia ser renovável, distribuída e abastecida por resíduos brasileiros?"

  • Temos a matéria-prima.
  • Temos a tecnologia.
  • Temos milhares de agroindústrias, propriedades rurais, aterros e estações de tratamento distribuídos pelo território.
  • Temos demanda por tratamento de resíduos.
  • Temos demanda por geração elétrica confiável.
  • E agora o próprio setor elétrico começa a reconhecer economicamente atributos como flexibilidade e potência.

Falta conectar esses pontos.

 

GD 2.0: de “geração perto do consumidor” para “recurso distribuído a serviço do sistema

Essa poderia ser a grande mudança conceitual.

A primeira geração da GD brasileira foi decisiva para democratizar a produção elétrica e permitir que consumidores também se tornassem geradores.

A próxima etapa pode ir além.

A GD 2.0 poderia ser uma geração distribuída orientada não apenas à compensação de energia, mas também às necessidades reais do sistema elétrico.

Uma geração:

  • locacional, controlável, flexível, previsível, integrável, digitalizada e capaz de responder aos sinais do sistema.

O biogás reúne muitos desses atributos.

Por isso, talvez a pergunta não seja simplesmente:

  • “Qual espaço ainda existe para geração elétrica a biogás?”

A pergunta mais interessante é:

“Que tipo de sistema elétrico precisamos construir para reconhecer o verdadeiro valor que uma usina de biogás pode entregar?”

Quando passarmos a remunerar não somente o MWh, mas também o MW disponível, o horário, a localização, a flexibilidade e a confiabilidade, a geração elétrica a biogás poderá assumir um papel muito mais estratégico na matriz brasileira.

Esse pode ser o próximo capítulo do setor.

Uma geração distribuída de segunda geração.

Uma GD 2.0.

E o biogás tem todos os atributos para estar no centro dessa discussão.

 


* Análise do setor elétrico com contribuições do Péricles Pinheiro Filho.

 

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