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Da merenda à energia: construindo uma escola circular com biogás

Da merenda à energia: a escola circular movida a biogás

Resíduos da alimentação escolar podem se transformar em biogás, biofertilizante e conhecimento, conectando o biodigestor à cozinha, à horta, às disciplinas e à comunidade

 

Sejam bem-vindos a mais um episódio da série Sábados de Biogás & Educação.
Ao longo dos 22 episódios anteriores, percorremos uma ampla jornada. Apresentamos os fundamentos do biogás, discutimos a instalação de biodigestores nas escolas, exploramos experiências práticas, modelagem 3D, simulação computacional, microbiologia, educação empreendedora, extensão rural, formação profissional e metodologias ativas de aprendizagem.
Na retrospectiva apresentada no EP 22 - Aprendizados que transformam, conhecimento que conecta, reforçamos que ensinar biogás significa aproximar conhecimentos, pessoas e soluções.

Agora, damos um passo adiante: vamos reunir vários desses aprendizados em torno de um mesmo fluxo, presente diariamente nas escolas brasileiras.
O ponto de partida está na própria merenda escolar.
Todos os dias, cascas, sementes, restos de frutas, legumes, verduras e alimentos preparados são gerados nas cozinhas e nos refeitórios. Em vez de serem tratados apenas como materiais que precisam ser descartados, esses resíduos podem se transformar em matéria-prima para uma aula viva sobre ciência, energia, alimentação, agricultura, clima e economia circular.
O ciclo pode ser compreendido de forma simples:
Merenda escolar → separação dos resíduos → biodigestor → biogás → cozinha → biofertilizante → horta escolar → novos alimentos e novos aprendizados.
Mais do que instalar um equipamento, a proposta é construir uma escola circular movida pelo conhecimento.

 

O que acontece com os resíduos da merenda?

No EP 13 - O Cheiro do Problema e o Aroma da Solução, propusemos uma reflexão sobre como transformar um problema ambiental em oportunidade.

Os resíduos orgânicos da alimentação escolar representam um excelente ponto de partida para colocar essa ideia em prática.
Já no EP 02 - Biodigestor na Escola, mostramos que os resíduos podem ser convertidos em recursos valiosos, como biogás e biofertilizante, reduzindo impactos ambientais e criando oportunidades educacionais.

O primeiro exercício pedagógico pode começar antes mesmo da instalação do biodigestor. Os estudantes podem investigar quanto resíduo orgânico é gerado diariamente, quais alimentos são mais descartados, como ocorre a separação e qual é o destino atual desse material.
A partir dessa investigação, surgem perguntas importantes:

  • Quanto resíduo a escola produz por dia?
  • Qual parcela poderia ser evitada?
  • Quanto poderia ser encaminhado ao biodigestor?
  • Quais materiais podem ou não alimentar o equipamento?
  • Quanto desse resíduo deixa de ser transportado até um aterro?

Ao medir o problema, a escola transforma o descarte em objeto de pesquisa. O resíduo deixa de ser invisível e passa a contar uma história sobre consumo, desperdício, alimentação e responsabilidade ambiental.

 

O biodigestor como coração da escola circular

No EP 08 - Biodigestor Laboratório de Ensino, apresentamos o equipamento como uma ferramenta capaz de integrar diferentes áreas do conhecimento.

No novo ciclo proposto, o biodigestor pode ser compreendido como o coração de um pequeno ecossistema educacional.
Ele recebe a matéria orgânica, cria as condições para a atuação dos microrganismos e permite a recuperação de parte da energia e dos nutrientes presentes nos resíduos.
Como discutimos no EP 14 - Como a microbiologia e a biotecnologia transformam resíduos em energia?, os protagonistas desse processo são populações de bactérias e arqueias que atuam em diferentes etapas da digestão anaeróbia.

O que normalmente seria visto apenas como “resto de comida” transforma-se em alimento para uma comunidade microscópica capaz de produzir metano.
Essa conexão permite mostrar aos estudantes que os conteúdos ensinados nas aulas de Biologia e Química não estão restritos aos livros. Eles estão presentes no funcionamento real do biodigestor.
O equipamento também permite trabalhar conceitos como ausência de oxigênio, decomposição, fermentação, temperatura, acidez, tempo de retenção, produção de gases, nutrientes e ciclos da matéria.
Entretanto, é importante compreender que o biodigestor escolar não deve ser tratado somente como uma máquina que produz gás. Seu valor educacional cresce quando o processo é acompanhado, interpretado e incorporado ao projeto pedagógico da escola.

 

Transformando o processo em aula

No EP 03 - Biogás em Ação: Experiências Práticas para Alunos Curiosos, defendemos que experiências práticas ajudam os estudantes a compreender o ciclo dos resíduos orgânicos e desenvolvem pensamento crítico, criatividade e capacidade de resolver problemas.

No EP 04 - A criatividade no ensino sobre biogás, ampliamos essa discussão, mostrando que o tema pode ser apresentado por diferentes linguagens e atividades.

A escola circular permite que um único processo seja observado por diversas disciplinas.
Nas aulas de Matemática, os estudantes podem medir a massa de resíduos gerada diariamente, construir médias, comparar períodos e elaborar gráficos.
Em Ciências e Biologia, podem estudar decomposição, microrganismos, ciclos naturais, nutrientes e relações ecológicas.
Em Química, podem explorar transformações da matéria, composição do biogás, pH e processos de fermentação.
Em Física, podem discutir pressão, temperatura, energia, calor e utilização do gás.
Em Geografia, podem analisar gestão de resíduos, uso do solo, mudanças climáticas, fontes de energia e características socioeconômicas da comunidade.
Em Língua Portuguesa, podem produzir relatórios, entrevistas, campanhas educativas, podcasts e matérias sobre os resultados.
Em Artes, podem criar infográficos, maquetes, exposições e formas visuais de representar a economia circular.
No EP 17 - Inovando no ensino sobre biogás, apresentamos metodologias que colocam os alunos como protagonistas, combinando apresentação, reflexão e discussão.
Esse modelo pode ser aplicado diretamente ao biodigestor: o professor introduz o problema, os estudantes investigam o sistema e, posteriormente, discutem os dados e propõem melhorias.
Assim, o biodigestor deixa de ser assunto exclusivo de uma disciplina e se transforma em uma plataforma de aprendizagem interdisciplinar.

 

Alunos como pesquisadores da própria escola

No EP 09 - Aprenda a Projetar Biodigestor com Softwares 3D, mostramos como ferramentas digitais podem estimular a aprendizagem ativa.

No EP 12 - Explorando Reatores Anaeróbios com Simulação Computacional CFD, avançamos para o uso de simulações capazes de representar o comportamento dos fluidos dentro dos reatores.

Nem todas as escolas precisam iniciar com ferramentas computacionais avançadas. O primeiro laboratório pode ser uma planilha simples ou um caderno de operação.
Os estudantes podem registrar:

  • quantidade diária de resíduos adicionados;
  • tipos de alimentos encaminhados ao sistema;
  • temperatura ambiente;
  • volume ou tempo de utilização do biogás;
  • quantidade de biofertilizante produzida;
  • área da horta beneficiada;
  • redução estimada do descarte de resíduos.

Com o passar do tempo, os dados podem ser transformados em gráficos, indicadores e projetos para feiras de Ciências.
As turmas também podem comparar períodos do ano, investigar por que a produção de biogás aumenta ou diminui e avaliar como mudanças na alimentação do biodigestor interferem em seu funcionamento.
Essa prática aproxima os alunos do método científico: observar, perguntar, formular hipóteses, medir, comparar e comunicar os resultados.
Uma revisão acadêmica publicada em janeiro de 2026 analisou produções brasileiras sobre biodigestores na educação básica e destacou que seu uso como recurso didático pode favorecer aprendizagens significativas, interdisciplinaridade e atitudes sustentáveis.
Fonte: https://rebena.emnuvens.com.br/

 

Do biofertilizante à horta escolar

No EP 05 - Biogás: educando pelo exemplo, destacamos que a escola ensina não somente pelo conteúdo apresentado, mas também pelas práticas que incorpora à sua rotina.
Quando o biofertilizante produzido no biodigestor é utilizado em uma horta escolar, os alunos conseguem visualizar o retorno dos nutrientes ao solo. O material que começou como sobra de alimento passa pelo biodigestor, contribui para a geração de energia e retorna ao sistema produtivo.
A horta permite discutir fertilidade do solo, germinação, fotossíntese, desenvolvimento das plantas, alimentação saudável e produção local de alimentos.
Esse ciclo ganha ainda mais significado nas escolas rurais. No EP 10 - Biogás nas Escolas Rurais, mostramos como o biodigestor pode aproximar os conhecimentos escolares da realidade das famílias agricultoras, dos resíduos agropecuários e das necessidades energéticas das comunidades.
A experiência da Escola Família Agrícola de Ladeirinhas, em Japoatã, Sergipe, ilustra essa integração. Estudantes, professores e pesquisadores avaliaram o aproveitamento do esterco da pocilga da própria escola para produzir biogás destinado à cozinha.
O projeto relacionou formação técnica em Agropecuária, tratamento de resíduos, produção de energia e redução dos custos escolares.
Fonte: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/

O biodigestor, portanto, pode aproximar a cozinha, a horta, a sala de aula e as atividades produtivas, tornando visíveis os fluxos de matéria e energia que sustentam a escola.

 

A escola ensina pelo exemplo

Em 2020, estudantes da Escola Estadual Professor Sebastião de Oliveira Rocha, em São Carlos, desenvolveram um projeto de reaproveitamento da matéria orgânica para produção de biogás.
A iniciativa envolveu alunos de diferentes faixas etárias e trabalhou Ciências, Tecnologia, Engenharia, Matemática, criatividade, colaboração e pensamento crítico. Fonte: https://solvefortomorrowlatam.com/

Em 2022, estudantes do ensino médio da Escola Presbiteriana João Calvino, em Rio Branco, no Acre, desenvolveram um biodigestor utilizando resíduos orgânicos, inclusive restos da merenda escolar.
O biogás foi direcionado para a cozinha, demonstrando que a aprendizagem escolar também pode contribuir para o desenvolvimento de soluções sociais e ambientais. Fonte: https://g1.globo.com/ac/acre/

Esses exemplos materializam a reflexão apresentada no EP 11 - Biogás e Educação Empreendedora: Inspirando Jovens para a Economia Verde: o aprendizado sobre energia renovável pode despertar iniciativas que respondem a problemas reais, geram benefícios sociais e estimulam o protagonismo juvenil.
A escola não precisa apenas explicar o significado da economia circular. Ela pode demonstrá-la em funcionamento.

 

Uma linha do tempo de experiências brasileiras

Experiências em diferentes regiões mostram que a integração entre resíduos, biogás, alimentação e educação já está sendo construída no Brasil.

  • Escola Família Agrícola de Ladeirinhas - Japoatã, Sergipe: O trabalho desenvolvido na instituição investigou o aproveitamento do esterco da criação de suínos para produção de biogás destinado à cozinha escolar. Além da função energética, o biodigestor foi incorporado à formação técnica de jovens de comunidades rurais. Fonte: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1075846/1/Producao.pdf
  • 2020 - Escola Estadual Professor Sebastião de Oliveira Rocha - São Carlos, São Paulo: Estudantes desenvolveram um projeto de educação STEM para reaproveitar matéria orgânica e transformá-la em biogás. A experiência trabalhou ciência, tecnologia, criatividade, colaboração e solução de problemas reais. Fonte: https://solvefortomorrowlatam.com/projeto/educacao-stem-biodigestor-transformacao-alimentos-biogas/
  • 1º de agosto de 2022 - Escola João Calvino - Rio Branco, Acre: Alunos do segundo ano do ensino médio construíram um biodigestor com o objetivo de criar uma alternativa ao gás de cozinha e contribuir com soluções para famílias em situação de vulnerabilidade. Restos da merenda foram empregados na produção do gás utilizado na cozinha escolar. Fonte: https://g1.globo.com/ac/acre/
  • 15 de dezembro de 2022 - Escola em zona rural: Um trabalho realizado com estudantes utilizou oficinas pedagógicas para construir um biodigestor caseiro. A atividade fortaleceu o interesse dos alunos e estimulou discussões sobre Ciências, sustentabilidade e os problemas ambientais da comunidade rural. Fonte: https://seer.faccat.br/index.php/redin/article/view/2614
  • 20 de outubro de 2023 - Projeto da Fundação ENGIE e da ABiogás: A Fundação ENGIE e a ABiogás anunciaram a instalação de 18 biodigestores em escolas e comunidades de diferentes regiões brasileiras, ampliando o acesso à tecnologia e às discussões sobre resíduos, energia renovável e desenvolvimento local. Fonte: https://www.engie.com.br/fundacao-engie-e-abiogas-instalam-18-biodigestores
  • 30 de outubro de 2023 - Primeiro biodigestor implantado em escola pública do Alto Tietê: O Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê anunciou a implantação do primeiro biodigestor em uma escola pública da região, criando uma referência para a expansão do projeto em outros municípios. Fonte: https://condemat.sp.gov.br/alto-tiete
  • 31 de outubro de 2023 - Escolas municipais de Guarulhos, São Paulo: Escolas da rede municipal de Guarulhos receberam biodigestores para transformar cascas, restos de alimentos e outros resíduos orgânicos em biogás e biofertilizante. O gás pode ser aproveitado nas cozinhas, enquanto o biofertilizante pode ser utilizado em hortas e jardins escolares. Fonte: https://portaleducacao.guarulhos.sp.gov.br/
  • 2 de outubro de 2024 - Projeto ambiental do CISGA - Serra Gaúcha: O Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável da Serra Gaúcha implantou biodigestores em dez escolas de municípios da região. O projeto incluiu capacitação dos responsáveis e atividades de educação ambiental relacionadas à separação dos resíduos, à microbiologia, à produção de gases e ao aproveitamento do biofertilizante. Fonte: https://www.cisga.com.br/noticias/
  • 28 e 29 de agosto de 2025 - Projeto de biodigestores do CIM-Amurel, Santa Catarina: A Escola Municipal de Ensino Básico Santo André, em Capivari de Baixo, tornou-se a primeira entre as escolas contempladas pelo projeto a utilizar o biogás no preparo da alimentação escolar. O programa também prevê o uso do biofertilizante na horta e sua possível distribuição para a comunidade. Fontes: https://capivaridebaixo.sc.gov.br/ e https://cimamurel.sc.gov.br/
  • 10 de janeiro de 2026 - Biodigestores na educação básica ganham revisão acadêmica: O estudo “Biodigestores na escola: um estado da arte sobre educação ambiental e sustentabilidade na educação básica” reuniu pesquisas brasileiras e reforçou o potencial desses equipamentos para promover interdisciplinaridade, aprendizagem significativa e educação ambiental. Fonte: https://rebena.emnuvens.com.br/revista/article/view/476
  • 16 de janeiro de 2026 - São José dos Campos instala sua primeira usina de biogás em uma escola: A primeira unidade foi instalada no Cedin Professora Dejanira Moreira Machado dos Santos. O projeto prevê a capacitação de professores e profissionais da cozinha, além do envolvimento das crianças nas atividades relacionadas à alimentação do biodigestor com os resíduos da escola. Fonte: https://www.sjc.sp.gov.br/
  • 9 de março de 2026 - Proposta para as escolas municipais de São Paulo: Uma proposta apresentada na plataforma participativa do município sugeriu a instalação de biodigestores nas escolas municipais. A ideia relaciona a redução dos resíduos enviados aos aterros, a geração de gás, a produção de insumos para hortas e o fortalecimento da educação ambiental. Trata-se de uma proposta cidadã apresentada para discussão, e não de um programa já implantado em toda a rede. Fonte: https://participemais.prefeitura.sp.gov.br/legislation/processes/379/proposals/5431
  • 24 de março de 2026 - Porto Alegre recebe apoio internacional para projeto de biodigestores: O projeto de biodigestores em escolas de Porto Alegre foi selecionado para receber apoio técnico internacional. A iniciativa transforma resíduos orgânicos em gás para cozinha e fertilizante natural, aproximando gestão de resíduos, alimentação escolar, ação climática e educação. Fonte: https://prefeitura.poa.br/
  • 9 de junho de 2026 - Suzano apresenta biodigestor escolar para comitiva de Salesópolis: A Escola Municipal Professora Célia Pereira de Lima recebeu uma comitiva de Salesópolis interessada em conhecer o biodigestor e sua integração com plantio, colheita, reciclagem e compostagem. O biogás é utilizado em atividades pedagógicas, enquanto o biofertilizante é aplicado na horta e pode ser compartilhado com as famílias. A experiência mostra como uma escola pode se tornar referência e inspirar a reprodução de boas práticas em outros municípios. Fonte: https://suzano.sp.gov.br/

 

Do equipamento ao projeto educacional

Os exemplos brasileiros demonstram que a instalação do biodigestor é apenas o início.
Para que a iniciativa alcance todo o seu potencial, é necessário conectar a operação do equipamento ao currículo, à formação dos professores, à equipe da cozinha, aos estudantes e à comunidade.
O primeiro passo pode ser a criação de um grupo responsável por acompanhar o projeto. Professores de diferentes disciplinas, profissionais da alimentação escolar, gestores, técnicos e alunos podem definir conjuntamente quais dados serão coletados e como os resultados serão utilizados nas aulas.
A escola também pode criar um diário do biodigestor, divulgar indicadores em um mural, organizar visitas guiadas e apresentar os resultados em feiras de Ciências.
Os estudantes podem produzir vídeos, entrevistas, cartilhas e campanhas sobre separação dos resíduos. As famílias podem ser convidadas para conhecer o equipamento e participar de atividades na horta.
No EP 21 - O professor como agente de transformação, destacamos que tecnologias educacionais somente ganham sentido quando encontram educadores capazes de conectá-las à realidade dos alunos.
O professor não precisa operar sozinho todo o sistema. Seu papel é ajudar a transformar o biodigestor em pergunta, experiência, investigação e conhecimento.
O planejamento técnico, a capacitação dos responsáveis, a manutenção e os procedimentos de segurança também são indispensáveis.
As experiências desenvolvidas em Capivari de Baixo, São José dos Campos e nos municípios atendidos pelo CISGA mostram a importância de treinar as equipes encarregadas da operação e integrar profissionais da cozinha, gestores e docentes ao projeto.
Fontes: https://capivaridebaixo.sc.gov.br/ , https://www.sjc.sp.gov.br/ e https://www.cisga.com.br/

 

Uma oportunidade para os biodigestores que já estão nas escolas

Muitas escolas brasileiras já receberam biodigestores. Entretanto, em alguns casos, o equipamento pode permanecer restrito à função de tratamento dos resíduos e produção de gás.
Há uma grande oportunidade de ampliar seu impacto.
Cada biodigestor instalado em uma escola pode se transformar em:

  • um laboratório de Ciências;
  • uma fonte de dados para Matemática;
  • um estudo de caso para Geografia;
  • uma experiência de economia circular;
  • um projeto de educação empreendedora;
  • uma ferramenta de comunicação ambiental;
  • um elo entre a escola e a comunidade.


No EP 16 - Extensão Rural e Biogás no Brasil, discutimos a importância de aproximar conhecimentos técnicos e saberes locais.
Essa mesma lógica pode orientar os projetos escolares. Uma escola que aprende a operar, observar e comunicar os resultados do biodigestor pode tornar-se referência para outras instituições, famílias, agricultores e gestores públicos.
O exemplo de Suzano demonstra esse efeito multiplicador: uma experiência escolar passou a receber representantes de outro município interessados em conhecer o modelo e reproduzir suas práticas.
 

Considerações finais

E se o restante da merenda não terminasse no lixo, mas se transformasse em uma aula sobre energia, ciência e sustentabilidade?
A resposta já começa a aparecer em diferentes escolas brasileiras.
Do Acre a Santa Catarina, de Sergipe ao Rio Grande do Sul, estudantes, professores, gestores públicos, instituições e comunidades estão mostrando que os biodigestores podem transformar resíduos em biogás e biofertilizante.
Mas o resultado mais importante talvez não possa ser medido apenas em metros cúbicos de gás ou quilogramas de resíduos processados.
Ele aparece quando um estudante compreende que um problema pode se transformar em solução.
Quando uma turma passa a medir o próprio impacto.
Quando a cozinha, a horta e a sala de aula começam a conversar.
Quando a escola deixa de apenas ensinar sustentabilidade e passa a demonstrá-la diariamente.
Da merenda à energia, o biodigestor pode fechar o ciclo dos resíduos e, ao mesmo tempo, abrir novos ciclos de curiosidade, inovação e conhecimento.
Até o próximo Sábado de Biogás & Educação.

 

 

Referências bibliográficas

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  • CISGA — CONSÓRCIO INTERMUNICIPAL DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DA SERRA GAÚCHA. Projeto ambiental do CISGA beneficia 10 escolas com biodigestores. 2 out. 2024. Disponível em: https://www.cisga.com.br/noticias/projeto-ambiental-do-cisga-beneficia-10-escolas-com-biodigestores. Acesso em: 1 ago. 2026.
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  • SUZANO (Município). Educação recebe comitiva de Salesópolis para apresentar biodigestor em escola municipal. Suzano, 9 jun. 2026. Disponível em: https://suzano.sp.gov.br/educacao-recebe-comitiva-de-salesopolis-para-apresentar-biodigestor-em-escola-municipal/. Acesso em: 1 ago. 2026.

 

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