Notícias

Expansão do Biometano em São Paulo

Expansão do Biometano em São Paulo

Licenças da CETESB Crescem 235% em Um Ano e Transformam Passivo em Ativo Estratégico

 

Aqui no Portal Energia e Biogás, acompanhamos há mais de duas décadas as promessas, os gargalos e as vitórias da transição energética no Brasil. Muitas tecnologias viveram o ciclo de "eterna promessa", mas os números recentes do estado de São Paulo provam, com dados concretos, que a cadeia do biometano já rompeu essa barreira. O estado não apenas lidera a produção nacional, como pisou no acelerador regulatório: entre 2024 e 2025, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) registrou um salto de 235% na emissão de licenças para projetos do gás renovável.

Os dados divulgados pela agência paulista mostram que as autorizações saltaram de 26 para 87 em um intervalo de apenas doze meses. Na prática, a economia circular deixou o campo do conceito para se materializar em infraestrutura pesada. Hoje, mais de 40% das licenças concedidas são destinadas a projetos que transformam resíduos urbanos e efluentes, antes tratados estritamente como passivos ambientais, em combustível renovável de alto valor.

Para o diretor-presidente da CETESB, Thomaz Toledo, a mudança de paradigma na gestão ambiental estadual reflete uma nova maturidade do mercado. Com 20 anos de experiência na área e passagens estratégicas por órgãos como IBAMA e Ministério do Meio Ambiente, Toledo destaca o atual peso do gás renovável na matriz:

O biometano deixou de ser apenas uma alternativa energética e já ocupa posição estratégica na discussão sobre descarbonização, segurança energética e economia circular no Brasil, destacou Toledo em seu perfil no LinkedIn.

A força do interior e a escala industrial

A capilaridade desse avanço chama a atenção de quem analisa o setor. Atualmente, 81 municípios paulistas já abrigam projetos ligados ao biometano, com uma esmagadora concentração de 94% das iniciativas localizadas no interior do estado.

Os exemplos trazidos pela CETESB ajudam a dimensionar a robustez dos projetos que estão saindo do papel:

  • Paulínia: Sedia a maior planta de biometano da América Latina, com capacidade para produzir 225 mil m³ por dia, volume suficiente para abastecer uma frota de mais de mil ônibus diariamente.
  • Cajamar: Uma única operação industrial projeta o consumo de 3,5 milhões de m³ por ano, uma demanda energética equivalente à de aproximadamente 30 mil residências.

 

O Horizonte: 6,4 milhões de m³/dia

São Paulo concentra atualmente cerca de metade da produção nacional. O estado soma hoje 9 plantas em operação, entregando uma capacidade instalada próxima a 700 mil m³/dia, além de contar com 8 novas unidades em fase de autorização.

Contudo, o horizonte é ainda mais ambicioso. Um estudo conjunto da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e da ABiogás projeta que o estado pode alcançar até 6,4 milhões de m³/dia. Esse volume seria capaz de suprir 32% de todo o consumo atual de gás natural ou substituir 24% do diesel consumido no transporte paulista.

Como aponta o diretor-presidente da agência ambiental paulista, esse cenário exige uma nova visão sobre a infraestrutura de saneamento urbano:

Esse movimento também revela um debate importante para os próximos anos, em que os resíduos, principalmente de aterros, tornam-se ativos estratégicos, conforme Toledo citou em seu perfil no LinkedIn.

A transição energética real, como sempre defendemos neste espaço, exige o alinhamento entre ambiente de negócios, segurança regulatória e capacidade de gestão. O salto no licenciamento indica que o gargalo burocrático começa a ser destravado, permitindo que a força agroindustrial e o saneamento paulista convertam resíduos em inteligência energética. O biometano já é uma realidade em escala comercial, e os próximos anos prometem um setor ainda mais dinâmico e competitivo.

 

Quer ficar atualizado sobre as unidades de produção de biogás e biometano?
Acesse a nossa plataforma Biogás View
Ler no Portal Completo